A ”tia da tv” esqueceu de dizer o que era pra gente ser enquanto sonhava, daqui do duro asfalto, com a Lua de Cristal, distante, intangível de nossas mãos, mas preferida de nossos ideais. Assim cresceram gerações que se acostumaram a projetar pra longe a felicidade. Há que se sonhar sim, mas enquanto isso, temos que seguir vivendo a felicidade-presente presente no presente, por isso prefiro ainda citar John Lenon: “A vida acontece enquanto fazemos planos para o futuro”, Clarice Lispector: “A vida não é de se brincar, porque um belo dia se morre.”, ou ainda, Tom Jobim: “Da vida a gente só leva a vida que a gente leva.”
Buscava um lado positivo para a morte de Michael Jackson, quando de repente, me peguei fazendo um “flash-back” da minha vida, e me assustei ao reparar que lá se vão quase vinte anos que terminou a década de oitenta. Logo foi inevitável me perguntar sobre o que fiz durante todos esses anos e o mais irônico, foi constatar que não atingi nenhuma das metas traçadas, que um dia, na minha adolescente arrogância, comprei dos anúncios e propagandas televisivos.
Foi com um grande alívio que lembrei, mesmo quase sem querer, que já nem tinha mais essas metas, isto é, que exercito a minha felicidade mesmo sem ter a profissão mais valorizada (que aliás nem desejei um dia), sem ter meu milhão na conta bancária, uma casa própria, um carro do ano na garagem, aliás tenho é nenhum mesmo, isso realmente às vezes incomoda, mas é perfeitamente contornável, enfim, teimo em ser feliz sem ter as “melhores” coisas, apesar de reconhecer e finalmente admitir que mereço e quero prosperidade em minha vida, sem no entanto, estar condicionada a nada, nem ter que sofrer a angústia de prazos pré-concebidos.
Sou a minha própria roupa e me visto com ela todos os dias, sem enjoar do tecido, das cores, do corte, uso sempre a mesma veste, já sem me importar se os outros gostam ou não dela.
Fui o meu maior adversário, mas hoje, mantenho a coragem de assumir que acredito no amor, daqueles da simples rotina do dia-a-dia mesmo, vou transgredir qualquer oposição com a simplicidade de entrar em qualquer ambiente assumindo o pouco que posso fazer, resistindo pacientemente a tudo que corrói o amor, me desfazendo a cada pôr-do-sol, de qualquer tipo de idealização imposta por mim ou por terceiros.
Definitivamente penso que o compromisso pós-moderno com essa felicidade efusiva, não passa de uma ilusão criada pra se valorizar, dar um valor semântico hiper-estimado à felicidade, assim ela vira um produto de mercado, portanto, vendendo e sendo vendida.
O futuro chega, e chega independente do caminho por onde passamos, logo a graça está justamente na caminhada, não desperdiçarei a paisagem!
“- Qual o lado positivo da morte de Michael?”
Respondo: ”Vários, mas um deles revelo: concluir que trinta anos passam rápido! Tão rápido…”
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